JUDAISMO IMPLÍCITO


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CRISTÃOS NOVOS, MARRANOS, B’NEI ANUSSIM  -  VALE DA DECISÃO  
A decisão de escrever esse texto debateu-se em minha mente como um peixe fisgado. O leitor a quem me dirijo não se interessaria por uma bandeira religiosa midiática. Mas como falar de fé sem naufragar no mar de ideias que se derrama aos ouvidos das pessoas, invadindo as mentes, promovendo a confusão?
Uma simpatia inconsciente transformou-se em compromisso quando soubemos do componente judaico em nossa família. Nosso empenho em identificar nossa participação no grupo de ancestres judeus da Espanha que, passando por Portugal, instalaram-se no Brasil, nos conduziu às caixas empoeiradas nos sótãos de nossos antepassados, em busca do que supostamente fora escondido dos carrascos da inquisição cristã. Num primeiro momento, quando entendemos isso, a sensação de relevância torcia nossos pescoços em direção aos modos culturais desse povo. Depois, na sequência de um labirinto de informações, entre balcões burocráticos e atendentes mal-humorados, percebemos a eficácia da destruição de documentos que comprovem facilmente nossa ascendência. A ação de Deus em atrair os perdidos dessa nação andarilha, única nação do mundo que é, ao mesmo tempo, política e espiritual, é o motor desse processo. Poderíamos omitir-nos disso? Estaríamos ignorando um dever? Apesar de fazer de nossa história e ascendência cultural e familiar um enorme buraco negro, como bem quiseram os inquisidores, se há verdade nisso, não nos perguntaremos da dificuldade de um retorno ao que realmente somos e receberemos esta verdade como nossa. 
Seria essa promessa um presente indesejável? Seria uma prisão o que se propõe uma conquista? Isso vai depender da forma como a recebo. Como o ácido provador é posto sobre uma peça de ouro, poderá realçar e legitimar seu valor, ou desgastá-lo e interromper ali sua trajetória de glória imerecida. Em meu caso cuido de receber isso, se de fato se aplica a mim, sendo ainda minha função formar assim a minha família; equações mal resolvidas à parte, na contradição dos ideais religiosos recebidos na infância.  
A pesquisa que iniciamos já há algum tempo, caminha a conta-gotas; e o quadro de insegurança se reforça com a discriminação nas sinagogas, como quem vem à festa sem convite, ou bastardos que reclamam herança. Não queremos aumentar nossa agonia nos misturando ao emaranhado de agrupamentos judaizantes. Ser o que somos é tudo precisamos para pleitear a idoneidade.
 
Antonio Cleofas

Vila Barroló, Triângulo Mineiro, Brasil

JUDAISMO IMPLÍCITO


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CRISTÃOS NOVOS, MARRANOS, B’NEI ANUSSIM  -  VALE DA DECISÃO  
A decisão de escrever esse texto debateu-se em minha mente como um peixe fisgado. O leitor a quem me dirijo não se interessaria por uma bandeira religiosa midiática. Mas como falar de fé sem naufragar no mar de ideias que se derrama aos ouvidos das pessoas, invadindo as mentes, promovendo a confusão?
Uma simpatia inconsciente transformou-se em compromisso quando soubemos do componente judaico em nossa família. Nosso empenho em identificar nossa participação no grupo de ancestres judeus da Espanha que, passando por Portugal, instalaram-se no Brasil, nos conduziu às caixas empoeiradas nos sótãos de nossos antepassados, em busca do que supostamente fora escondido dos carrascos da inquisição cristã. Num primeiro momento, quando entendemos isso, a sensação de relevância torcia nossos pescoços em direção aos modos culturais desse povo. Depois, na sequência de um labirinto de informações, entre balcões burocráticos e atendentes mal-humorados, percebemos a eficácia da destruição de documentos que comprovem facilmente nossa ascendência. A ação de Deus em atrair os perdidos dessa nação andarilha, única nação do mundo que é, ao mesmo tempo, política e espiritual, é o motor desse processo. Poderíamos omitir-nos disso? Estaríamos ignorando um dever? Apesar de fazer de nossa história e ascendência cultural e familiar um enorme buraco negro, como bem quiseram os inquisidores, se há verdade nisso, não nos perguntaremos da dificuldade de um retorno ao que realmente somos e receberemos esta verdade como nossa. 
Seria essa promessa um presente indesejável? Seria uma prisão o que se propõe uma conquista? Isso vai depender da forma como a recebo. Como o ácido provador é posto sobre uma peça de ouro, poderá realçar e legitimar seu valor, ou desgastá-lo e interromper ali sua trajetória de glória imerecida. Em meu caso cuido de receber isso, se de fato se aplica a mim, sendo ainda minha função formar assim a minha família; equações mal resolvidas à parte, na contradição dos ideais religiosos recebidos na infância.  
A pesquisa que iniciamos já há algum tempo, caminha a conta-gotas; e o quadro de insegurança se reforça com a discriminação nas sinagogas, como quem vem à festa sem convite, ou bastardos que reclamam herança. Não queremos aumentar nossa agonia nos misturando ao emaranhado de agrupamentos judaizantes. Ser o que somos é tudo precisamos para pleitear a idoneidade.
 
Antonio Cleofas

Vila Barroló, Triângulo Mineiro, Brasil