quarta-feira, 18 de abril de 2012

Festas Judaicas (Chaguim) Iom HaShoá

  A História de Leah Attali

 Como fui salva da Shoá

   Vila Barroló publicou isso em menção ao dia do Holocausto

   a fonte está citada ao fim do texto



Nasci no fim de 1939 - o início da 2a Guerra Mundial - sendo a mais nova de três irmãos, no pequena cidade chamada Trouville, perto do mar. Meus pais eram mercadores, judeus religiosos, pessoas simples, que não acreditavam que nada lhes aconteceria, pois eram honestos e corretos... Meu pai, de abençoada memória, foi para Paris com meu irmã e minha irmã, enquanto eu (com 2 anos), fiquei com minha mãe, de abençoada memória).

Minha mãe e eu fomos levadas para o Campo de Concentração de Beurron La Motte, que era comandado por um homem francês, nomeado para a função (aparentemente contra sua vontade), que queria nos salvar, e tentava convencer minha mãe a esconder sua judeidade, para que fossemos consideradas polonesas, e então recebermos um melhor tratamento, mas ela recusava, orgulhosa de ser judia! Ele, Raymond Ettlein, o Diretor, retirou-me para o orfanato do Hospital, em Blois, que era dirigido por um amigo seu.

Este seu amigo, Pierre Allart, vinha visitar o hospital com sua mulher, Blanchette, e no dia em que me viram, levaram-me para sua própria casa (eles tinham apenas um filho - Claude - que já não era mais criança). Meu estômago estava ferido da comida do campo, e eles me ajudaram a me recuperar, cuidaram de mim, e então eu vivi com eles... por anos maravilhosos, no auge da Guerra!

Eles me diziam que eu tinha um pai e uma mãe "reais", apesar de meu pai ter sido levado para o Campo de Drancy e de lá para Auschwitz - eu não tenho memória dele.

A vida foi muito boa com eles, eles eram nobres, tinham uma empregada, um jardineiro, governanta, etc... Tinham uma propriedade com campos de caça, e posso me lembrar com detalhes da minha vida lá - Não tinha amigos, mas havia várias brincadeiras, e o jardineiro havia feito meu próprio jardim. Todo ano eu escrevia para o Papai Noel, pedindo brinquedos e presentes para o resto da família, e que ele me trouxesse de volta meu pai e minha mãe. Os Allarts tentaram manter contato com minha mãe e até mesmo com meus irmãos (encontrei cartas que confirmam isso).

A guerra cabou, e minha mãe verdadeira se transformou numa mulher 'quebrada' - tanto fisicamente, quanto mentalmente. Ela foi convidade para a propriedade dos Allarts para que eu me acostumasse com ela, mas era extremamente difícil para todos nós: eles tinha planejado que eu voltaria para ela, mas estavam muito apegados a mim (estive com eles por 5 anos), enquanto para mim, não queria deixá-los, e minha mãe doída por eu não quer deixá-los para ir com ela - para mim, este era o início da Shoá!!

Gradualmente, voltei para minha mãe, e ia visitar os Allarts a cada férias; minha mãe vivia na pobreza, não tinha uma casa, e nós nos mudavamos de lugar em lugar, ficando com outros pessoas, com ou sem água e eletricidade (literalmente, para "Mama Blanchette", como se tivesse nascido lá).

Como disse, minha mãe tinha perdido tudo, exceto os 3 filhos - o marido, a casa, seus pertences. A primeira coisa que ela queria, entretanto, foram candelabros para que ela pudesse acender as velas de Shabat: então, Blanchette pegou seus candelabros de seus móveis, e deu para ela - eu ainda uso eles. Minha mãe concordou que eu poderia continuar visitando-os, mas insistia que eu comesse somente comida kasher. Então, eles compraram um Shulchan Aruch (Código da Lei Judaica) em francês, e também louça de vidro, que mantinham separados para quando eu ia visitá-los.

Pierre inclusive veio ao nosso casamento, a cerimônia civil no Town Hall de Paris. Ele era verdadeiramente um homem justo entre as nações, e sua memória merece ser abençoada.


Fonte: Central Pedagógica da Agência Judaica

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Visita a Israel



Na tarde do dia 26 novembro, dia lindo em Tel Aviv, estou em visita a Eva e Markin, trazendo as novidades da Vila Barroló. Cleofas, meu pai,  conheceu Eva na feira Internacional de artesanato Mão de Minas em 2004, em Belo Horizonte. Na época, ela importava artesanato brasileiro para Israel e Cleofas produzia, já há mais de 20 anos, peças artesanais de cerâmica em Uberaba, MG.  Desde lá estabeleceu-se uma amizade entre ambos.
Em 2005, vim a Israel e tive o prazer de conhecer esse casal alto astral, culto e muito gente boa. Me encantei com a meiguice brasileira de ambos, aliada a um passado forte e idealista. Na época fui voluntária no kibutz Bar’am.  Gostei e voltei, dessa vez determinada a aprender o Hebraico. Trouxe comigo uma bagagem nova – uma opção de vida que está sendo por nós praticada desde 2009, quando decidimos nos mudar pra nosso sítio no Triângulo Mineiro e inaugurarmos a Vila Barroló. Hoje, além de produzimos artesanato em cerâmica e comercializamos em regiões diversas do  Brasil, demos um novo passo rumo a uma forma de vida mais singela, permaculta e natural. Para conhecer mais sobre nossa história e trabalho, visite o nosso site: www.cleofasceramicas.com.br e entre em contato conosco!
Ficaremos muito felizes em ouvir de você!!
Saudações carinhosas!!
Bibi


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vila Barroló-Cleofasceramicas vai sair na Ana Maria Braga


A TV Integração (rede Globo no Triângulo Mineiro) veiculou reportagem sobre nosso trabalho no contexto do empreendimento rural que representa a vila Barroló e a reportagem foi solicitada pelo programa de Ana Maria Braga Mais você para exibição.

Veja os links:
Como sempre, o volume de informações processadas num único momento, na pressa em que se opera a coisa da televisão, algumas informações, como localização, estão erradas. Mas o saldo é positivo. Esse tipo de coisa produz em nós a sensação de que o que fazemos é útil e valorável.
A vila Barroló iniciou-se em julho de 2009, e nesses dois anos e alguns meses passados, muitas situações foram enfrentadas, o que representa freqüência de exercício de perseverança e lucidez de decisão para os moradores. Temos conhecimento de que muitos outros projetos se perderam em questionamentos semelhantes, e isso nos dá a sensação de que estamos numa linha saudável de continuidade naquilo em que nos propusemos fazer.
Como projeto comunitário em que a grande maioria é de jovens entre 14 e 30 anos, esta fase inicial foi marcada pela indagação de futuro, resolução profissional, educativa, e social. Na verdade, as equações que todo jovem é obrigado a fazer onde quer que esteja. A diferença, quando há, está na limitação de soluções adequadas ao ambiente rural.
Da mesma forma o laser é tópico oportuno no atual contexto. A energia criativa precisa de espaço pra interagir e o projeto Ginga no Campo veio a calhar. Além de eliminar gordura, enriquece o convívio e agrega auto-estima. É estimulante ver o quanto tem crescido em adesão e com que dedicação o grupo pratica a capoeira. O trabalho que Kássio(Nosso treinador de Capoeira) começou, pouco mais de um ano atrás, em parceria com a escola Raízes do Brasil, como noticiamos nesse blog, já apresenta uma evolução digna de qualquer escola de renome, de maneira que, proporcionalmente ao tempo de treino, o pessoal da Vila não faz feio em apresentações.


TRABALHO

O trabalho com cerâmicas, no atual momento, é nossa única fonte de renda. Nossa meta porém, é a diversificação com várias outras atividades, sempre condicionáveis à escolha do local e o modo de vida rural a que nos propomos. A adequação do trabalho da cerâmica ao estilo rural já representa um grande avanço, visto que os trabalhos com agricultura e pecuária demandam tempo e dedicação.
Antes de virmos pra cá pensávamos em uma horta produtiva em um semestre, no máximo. Dois anos e meio depois ainda precisamos comprar. Isto, é claro, ocorre principalmente porque somos aprendizes dessas tecnologias, mas também é fato de que a produção de cerâmica é uma atividade que requer muita mão de obra.
Trabalhar com cerâmica não é menos rico do que a lida com terra. Na realidade colhemos os mesmo aprendizados diários. A produção de peças que enriquecerão ambientes a partir de um pouco de argila, nos conduz nos induz ao questionamento dos valores reais de ser humanos e interagir na vida. Damos forma ao mesmo material do qual também fomos feitos, como se a estética que desejamos ao produto de nossa criação agregasse este valor também às nossas pessoas. Da mesma forma a dignidade em habitar com respeito às árvores, o córrego onde nos banhamos, os pássaros que nos avizinham e os animais que nos alimentam e cooperam no trabalho.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A LEVEZA

DO SER, SUSTENTADA













A sustentabilidade é um processo em que se descobre a própria relação dos indivíduos com a natureza. A simples atenção ao movimento de pássaros à minha volta, me fizeram perceber que são moradores como eu. Pode parecer óbvio para quem conhece mais de pássaros e sabe seus nomes e costumes, mas não é esse o meu caso. Estou despertando para isso agora. Por causa de um casal de joãos-de-barro em que a que me parece fêmea é aleijadinha, porque saltava com um pé só, pensei nisso, e foi uma alegre surpresa vê-los como vizinhos e não apenas pássaros interessantes. Agora tenho uma relação muito mais coerente com os graciosos cantantes nos amanheceres da primavera. Não sei quanto tempo vivem os passarinhos... Mas, especialmente nessa primavera, estou observando que aumentou muito o número de indivíduos que se movimentam. São amarelos, azuis, branquinhos, pretinhos, pardos miúdos ou maiores; peitos amarelos, cabeças alaranjadas, bicos de vários formatos; cantos muito variados. Toda essa variedade me encanta; ainda mais os vendo como habitantes comigo desse lugar, ou ainda melhor, eu habitando com eles.
Nesse contexto, enriquece-se muito meu conceito de moradia, minha ideia de conforto. Há uma noção de frugalidade das coisas que se compra com dinheiro frente à riqueza de informação e desfrute que a natureza me oferece. Posso agora admitir e desejar morar numa casa feita de barro sem achar que isso é diminuitivo de minha humanidade, bastando apenas que me aqueça no inverno e me refresque do sol quente, com eficácia.
A cada momento mais, parece-me estúpida a ideia do luxo. As necessidades criadas pelos agentes fomentadores do consumo, o aumento constante de itens que não se pode deixar de ter; a ideia de beleza associada aos sintéticos; toda a estrutura do meio de locomoção e armazenamento dessas coisas que, automaticamente se fazem necessários, escravizam, obrigam a rotinas de trabalho pra aquisição de recursos que, numa outra forma de ver, são desnecessários e perturbadores do sossego. A ideia de beleza associada á multiplicação de acessórios, o jeito plástico de envelhecer, maquiagens aperfeiçoadoras da beleza equivocada, perdem força nessa reflexão de harmonia que a observação do ambiente nos revela.



O belo outro que me acercava,
Não é mais belo que o belo esse;
Mas sim, há um desaviso;
Assombrara-me a singela brisa
Que navegava as ondas
Nas tardes de todos os dias;
Indo e se vindo intrépida;
Comensais liberais, gratuitos e livres;
Logravam desfrutar mais de menos;
E menos desgaste de tudo;
À soleira de um universo suficiente;
Entreteciam-se graciosos matizes;
Fulgores, raios e trovões,
Não temiam o amanhã nascendo;
Não se apressavam em seus caminhos;
Não soavam sons ociosos;
Tão só fluíam nos ventos;
Nadando nas horas do tempo;
Vencendo o momento senil;
Em novos recomeços de viver.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CASÓRIO NA VILA BARROLÓ



Apesar do caráter original do evento, quem participou enterneceu-se com o casamento de Adão (Gom) e Ana Cristina (Aninha). Ficamos emocionados com a essência de compromisso e felicidade entremeio à simplicidade das rústicas instalações.

A despeito da força de um tempo em que o matrimônio já não traz significado no aspecto da continuidade, Gom e Aninha foram muito convincentes no comprometimento de envelhecerem juntos... Quem lê, entenda: Não é um discurso, isso faz parte da ética perseguida por esses e outros jovens. Ainda...

A felicidade desse casal fez a alegria jorrar em nossos corações. Os candidatos à mesma felicidade desejaram em súplica silenciosa que pra eles também fosse assim, num futuro próximo. Dizemos amém.

A cerimônia foi sem celebrante. Os noivos se casaram numa sequência de atos simbólicos comuns, como declararem-se mútua e publicamente, troca de alianças, beberem vinho e quebrarem a taça, etc., tudo isso depois que o noivo foi conduzido pela tia da noiva e pela mãe, Nitinha, ao som da canção em capela de nosso amigo Hércules; e Aninha, a seu pedido, entregue pelo irmão mais velho do noivo, nosso querido Gerson, com danças em coreografia de moças para a noiva e rapazes para o noivo. 

Compromisso feito, anunciado e selado com um beijo, oramos todos, reconhecendo e abençoando a nova família que ali nasceu. Depois disso, a dança da cadeira e muita alegria com churrasco e forró.





sexta-feira, 2 de setembro de 2011

VILA BARROLÓ INTERAGE COM ARTESÃOS E CAPOEIRISTAS EM DUPLO EVENTO


PROJETO GINGA NO CAMPO
PRIMEIRA OFICIALIZAÇÃO DE INICIAÇÃO E TROCA DE CORDAS DOS CAPOEIRISTAS DA VILA BARROLÓ


Dia 27 de agosto pp a comunidade de artesãos ceramistas Vila Barroló esteve movimentada. Dois eventos foram realizados no mesmo dia, promovendo interação entre três grupos: Os artesãos e capoeiristas da Vila, Os associados da Casa do Artesão em Uberaba e as famílias e participantes da escola de capoeira de Uberaba Raízes do Brasil.




A escola de capoeira Raízes do Brasil em Uberaba, com grupo de alunos e seus familiares e mais mestres e atletas de outras escolas de Uberaba participaram da oficialização de iniciação e a primeira troca de cordas dos capoeristas da Vila Barroló. O grupo é formado de crianças e adultos iniciantes e são treinados por Kássio Feitosa que é aluno graduado da Raízes do Brasil.
O trabalho começou no ano passado e tem crescido em qualidade e adesão, com o entusiasmo dos participantes. A capoeira é bem aceita como oportunidade de interação entre os moradores e com outros participantes de vários lugares. Na ocasião, o treinador da Vilarecebeu a gr aduação com a corda alaranjada.


kássio Feitosa, o Macaco Branco recebeu corda alaranjada





 















PARCERIA COM RAÍZES DO BRASIL


Os lideres, alunos, parentes e amigos do grupo Raízes do Brasil de Uberaba marcaram presença, trazendo graduados de vários outros lugares. O mês passado nós anunciamos no blog da vila o início de uma parceria entre a escola Raízes do Brasil e nossa comunidade. Nessa ocasião estiveram conosco Crei e Roqueiro(foto à direita), líderes da escola, e receberam das mãos dos alunos da vila, que também são artesãos, um prato com o símbolo da escola. Quer ler sobre isso? Clique aqui

 VEJA FOTOS DA RODA DE CAPOEIRA

CASA DO ARTESÃO- COMEMORAÇÃO DE 30 ANOS



 
Cidinha, presidente da Casa do Artesão de Uberaba, à direita, na foto

O artesão Antonio Cleofas, um dos fundadores da comunidade Vila Barroló, membro da Casa do Artesão desde os primeiros passos da associação, recebeu a primeira visita dos colegas associados, liderados por Maria Aparecida Borges, a Cidinha, presidente da associação. 
Foram cerca de 50 pessoas em ônibus cedido pela prefeitura de Uberaba, que também assistiram ao evento 








OFICINA DE MODELAGEM                                                                                     
Justamente visando a interação entre pessoas de diferentes universos, coincidimos os dois eventos e o resultado foi ótimo. Os participantes do evento liberaram sua energia criativa numa rápida oficina de modelagem ministrada pelos artesãos da Vila. As peças produzidas serão queimadas no forno do atelier e os respectivos donos as receberão depois.




As professoras de Terapia Ocupacional Claudia, da UFTM e Sâmia, da UNIUBE
marcaram presença e botaram as mãos no barro.


 VEJA MAIS FOTOS DO EVENTO

 APOIO CULTURAL 


O evento recebeu apoio da prefeitura de Conceição das Alagoas, que forneceu as camisas dos atletas, e esteve representada por um de seus assessores, o simpático Sr. Willens Rodrigues de Faria, que tem sido um grande incentivador de nosso trabalho.
willens(à esq), responsável pela Subsecretaria de Políticas Estratégicas e Governabilidade de Conceição das Alagoas




PARTICIPAÇÕES

Estiveram conosco os mestres de capoeira da Escola Kapoeira Gerais, Marneide; Peixe Cascudo, da Arte Luanda e Vampeta, do Raízes do Brasil de Franca, SP. Veja as fotos

Até a próxima!



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Festas Judaicas (Chaguim) Iom HaShoá

  A História de Leah Attali

 Como fui salva da Shoá

   Vila Barroló publicou isso em menção ao dia do Holocausto

   a fonte está citada ao fim do texto



Nasci no fim de 1939 - o início da 2a Guerra Mundial - sendo a mais nova de três irmãos, no pequena cidade chamada Trouville, perto do mar. Meus pais eram mercadores, judeus religiosos, pessoas simples, que não acreditavam que nada lhes aconteceria, pois eram honestos e corretos... Meu pai, de abençoada memória, foi para Paris com meu irmã e minha irmã, enquanto eu (com 2 anos), fiquei com minha mãe, de abençoada memória).

Minha mãe e eu fomos levadas para o Campo de Concentração de Beurron La Motte, que era comandado por um homem francês, nomeado para a função (aparentemente contra sua vontade), que queria nos salvar, e tentava convencer minha mãe a esconder sua judeidade, para que fossemos consideradas polonesas, e então recebermos um melhor tratamento, mas ela recusava, orgulhosa de ser judia! Ele, Raymond Ettlein, o Diretor, retirou-me para o orfanato do Hospital, em Blois, que era dirigido por um amigo seu.

Este seu amigo, Pierre Allart, vinha visitar o hospital com sua mulher, Blanchette, e no dia em que me viram, levaram-me para sua própria casa (eles tinham apenas um filho - Claude - que já não era mais criança). Meu estômago estava ferido da comida do campo, e eles me ajudaram a me recuperar, cuidaram de mim, e então eu vivi com eles... por anos maravilhosos, no auge da Guerra!

Eles me diziam que eu tinha um pai e uma mãe "reais", apesar de meu pai ter sido levado para o Campo de Drancy e de lá para Auschwitz - eu não tenho memória dele.

A vida foi muito boa com eles, eles eram nobres, tinham uma empregada, um jardineiro, governanta, etc... Tinham uma propriedade com campos de caça, e posso me lembrar com detalhes da minha vida lá - Não tinha amigos, mas havia várias brincadeiras, e o jardineiro havia feito meu próprio jardim. Todo ano eu escrevia para o Papai Noel, pedindo brinquedos e presentes para o resto da família, e que ele me trouxesse de volta meu pai e minha mãe. Os Allarts tentaram manter contato com minha mãe e até mesmo com meus irmãos (encontrei cartas que confirmam isso).

A guerra cabou, e minha mãe verdadeira se transformou numa mulher 'quebrada' - tanto fisicamente, quanto mentalmente. Ela foi convidade para a propriedade dos Allarts para que eu me acostumasse com ela, mas era extremamente difícil para todos nós: eles tinha planejado que eu voltaria para ela, mas estavam muito apegados a mim (estive com eles por 5 anos), enquanto para mim, não queria deixá-los, e minha mãe doída por eu não quer deixá-los para ir com ela - para mim, este era o início da Shoá!!

Gradualmente, voltei para minha mãe, e ia visitar os Allarts a cada férias; minha mãe vivia na pobreza, não tinha uma casa, e nós nos mudavamos de lugar em lugar, ficando com outros pessoas, com ou sem água e eletricidade (literalmente, para "Mama Blanchette", como se tivesse nascido lá).

Como disse, minha mãe tinha perdido tudo, exceto os 3 filhos - o marido, a casa, seus pertences. A primeira coisa que ela queria, entretanto, foram candelabros para que ela pudesse acender as velas de Shabat: então, Blanchette pegou seus candelabros de seus móveis, e deu para ela - eu ainda uso eles. Minha mãe concordou que eu poderia continuar visitando-os, mas insistia que eu comesse somente comida kasher. Então, eles compraram um Shulchan Aruch (Código da Lei Judaica) em francês, e também louça de vidro, que mantinham separados para quando eu ia visitá-los.

Pierre inclusive veio ao nosso casamento, a cerimônia civil no Town Hall de Paris. Ele era verdadeiramente um homem justo entre as nações, e sua memória merece ser abençoada.


Fonte: Central Pedagógica da Agência Judaica

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Visita a Israel



Na tarde do dia 26 novembro, dia lindo em Tel Aviv, estou em visita a Eva e Markin, trazendo as novidades da Vila Barroló. Cleofas, meu pai,  conheceu Eva na feira Internacional de artesanato Mão de Minas em 2004, em Belo Horizonte. Na época, ela importava artesanato brasileiro para Israel e Cleofas produzia, já há mais de 20 anos, peças artesanais de cerâmica em Uberaba, MG.  Desde lá estabeleceu-se uma amizade entre ambos.
Em 2005, vim a Israel e tive o prazer de conhecer esse casal alto astral, culto e muito gente boa. Me encantei com a meiguice brasileira de ambos, aliada a um passado forte e idealista. Na época fui voluntária no kibutz Bar’am.  Gostei e voltei, dessa vez determinada a aprender o Hebraico. Trouxe comigo uma bagagem nova – uma opção de vida que está sendo por nós praticada desde 2009, quando decidimos nos mudar pra nosso sítio no Triângulo Mineiro e inaugurarmos a Vila Barroló. Hoje, além de produzimos artesanato em cerâmica e comercializamos em regiões diversas do  Brasil, demos um novo passo rumo a uma forma de vida mais singela, permaculta e natural. Para conhecer mais sobre nossa história e trabalho, visite o nosso site: www.cleofasceramicas.com.br e entre em contato conosco!
Ficaremos muito felizes em ouvir de você!!
Saudações carinhosas!!
Bibi


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vila Barroló-Cleofasceramicas vai sair na Ana Maria Braga


A TV Integração (rede Globo no Triângulo Mineiro) veiculou reportagem sobre nosso trabalho no contexto do empreendimento rural que representa a vila Barroló e a reportagem foi solicitada pelo programa de Ana Maria Braga Mais você para exibição.

Veja os links:
Como sempre, o volume de informações processadas num único momento, na pressa em que se opera a coisa da televisão, algumas informações, como localização, estão erradas. Mas o saldo é positivo. Esse tipo de coisa produz em nós a sensação de que o que fazemos é útil e valorável.
A vila Barroló iniciou-se em julho de 2009, e nesses dois anos e alguns meses passados, muitas situações foram enfrentadas, o que representa freqüência de exercício de perseverança e lucidez de decisão para os moradores. Temos conhecimento de que muitos outros projetos se perderam em questionamentos semelhantes, e isso nos dá a sensação de que estamos numa linha saudável de continuidade naquilo em que nos propusemos fazer.
Como projeto comunitário em que a grande maioria é de jovens entre 14 e 30 anos, esta fase inicial foi marcada pela indagação de futuro, resolução profissional, educativa, e social. Na verdade, as equações que todo jovem é obrigado a fazer onde quer que esteja. A diferença, quando há, está na limitação de soluções adequadas ao ambiente rural.
Da mesma forma o laser é tópico oportuno no atual contexto. A energia criativa precisa de espaço pra interagir e o projeto Ginga no Campo veio a calhar. Além de eliminar gordura, enriquece o convívio e agrega auto-estima. É estimulante ver o quanto tem crescido em adesão e com que dedicação o grupo pratica a capoeira. O trabalho que Kássio(Nosso treinador de Capoeira) começou, pouco mais de um ano atrás, em parceria com a escola Raízes do Brasil, como noticiamos nesse blog, já apresenta uma evolução digna de qualquer escola de renome, de maneira que, proporcionalmente ao tempo de treino, o pessoal da Vila não faz feio em apresentações.


TRABALHO

O trabalho com cerâmicas, no atual momento, é nossa única fonte de renda. Nossa meta porém, é a diversificação com várias outras atividades, sempre condicionáveis à escolha do local e o modo de vida rural a que nos propomos. A adequação do trabalho da cerâmica ao estilo rural já representa um grande avanço, visto que os trabalhos com agricultura e pecuária demandam tempo e dedicação.
Antes de virmos pra cá pensávamos em uma horta produtiva em um semestre, no máximo. Dois anos e meio depois ainda precisamos comprar. Isto, é claro, ocorre principalmente porque somos aprendizes dessas tecnologias, mas também é fato de que a produção de cerâmica é uma atividade que requer muita mão de obra.
Trabalhar com cerâmica não é menos rico do que a lida com terra. Na realidade colhemos os mesmo aprendizados diários. A produção de peças que enriquecerão ambientes a partir de um pouco de argila, nos conduz nos induz ao questionamento dos valores reais de ser humanos e interagir na vida. Damos forma ao mesmo material do qual também fomos feitos, como se a estética que desejamos ao produto de nossa criação agregasse este valor também às nossas pessoas. Da mesma forma a dignidade em habitar com respeito às árvores, o córrego onde nos banhamos, os pássaros que nos avizinham e os animais que nos alimentam e cooperam no trabalho.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A LEVEZA

DO SER, SUSTENTADA













A sustentabilidade é um processo em que se descobre a própria relação dos indivíduos com a natureza. A simples atenção ao movimento de pássaros à minha volta, me fizeram perceber que são moradores como eu. Pode parecer óbvio para quem conhece mais de pássaros e sabe seus nomes e costumes, mas não é esse o meu caso. Estou despertando para isso agora. Por causa de um casal de joãos-de-barro em que a que me parece fêmea é aleijadinha, porque saltava com um pé só, pensei nisso, e foi uma alegre surpresa vê-los como vizinhos e não apenas pássaros interessantes. Agora tenho uma relação muito mais coerente com os graciosos cantantes nos amanheceres da primavera. Não sei quanto tempo vivem os passarinhos... Mas, especialmente nessa primavera, estou observando que aumentou muito o número de indivíduos que se movimentam. São amarelos, azuis, branquinhos, pretinhos, pardos miúdos ou maiores; peitos amarelos, cabeças alaranjadas, bicos de vários formatos; cantos muito variados. Toda essa variedade me encanta; ainda mais os vendo como habitantes comigo desse lugar, ou ainda melhor, eu habitando com eles.
Nesse contexto, enriquece-se muito meu conceito de moradia, minha ideia de conforto. Há uma noção de frugalidade das coisas que se compra com dinheiro frente à riqueza de informação e desfrute que a natureza me oferece. Posso agora admitir e desejar morar numa casa feita de barro sem achar que isso é diminuitivo de minha humanidade, bastando apenas que me aqueça no inverno e me refresque do sol quente, com eficácia.
A cada momento mais, parece-me estúpida a ideia do luxo. As necessidades criadas pelos agentes fomentadores do consumo, o aumento constante de itens que não se pode deixar de ter; a ideia de beleza associada aos sintéticos; toda a estrutura do meio de locomoção e armazenamento dessas coisas que, automaticamente se fazem necessários, escravizam, obrigam a rotinas de trabalho pra aquisição de recursos que, numa outra forma de ver, são desnecessários e perturbadores do sossego. A ideia de beleza associada á multiplicação de acessórios, o jeito plástico de envelhecer, maquiagens aperfeiçoadoras da beleza equivocada, perdem força nessa reflexão de harmonia que a observação do ambiente nos revela.



O belo outro que me acercava,
Não é mais belo que o belo esse;
Mas sim, há um desaviso;
Assombrara-me a singela brisa
Que navegava as ondas
Nas tardes de todos os dias;
Indo e se vindo intrépida;
Comensais liberais, gratuitos e livres;
Logravam desfrutar mais de menos;
E menos desgaste de tudo;
À soleira de um universo suficiente;
Entreteciam-se graciosos matizes;
Fulgores, raios e trovões,
Não temiam o amanhã nascendo;
Não se apressavam em seus caminhos;
Não soavam sons ociosos;
Tão só fluíam nos ventos;
Nadando nas horas do tempo;
Vencendo o momento senil;
Em novos recomeços de viver.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CASÓRIO NA VILA BARROLÓ



Apesar do caráter original do evento, quem participou enterneceu-se com o casamento de Adão (Gom) e Ana Cristina (Aninha). Ficamos emocionados com a essência de compromisso e felicidade entremeio à simplicidade das rústicas instalações.

A despeito da força de um tempo em que o matrimônio já não traz significado no aspecto da continuidade, Gom e Aninha foram muito convincentes no comprometimento de envelhecerem juntos... Quem lê, entenda: Não é um discurso, isso faz parte da ética perseguida por esses e outros jovens. Ainda...

A felicidade desse casal fez a alegria jorrar em nossos corações. Os candidatos à mesma felicidade desejaram em súplica silenciosa que pra eles também fosse assim, num futuro próximo. Dizemos amém.

A cerimônia foi sem celebrante. Os noivos se casaram numa sequência de atos simbólicos comuns, como declararem-se mútua e publicamente, troca de alianças, beberem vinho e quebrarem a taça, etc., tudo isso depois que o noivo foi conduzido pela tia da noiva e pela mãe, Nitinha, ao som da canção em capela de nosso amigo Hércules; e Aninha, a seu pedido, entregue pelo irmão mais velho do noivo, nosso querido Gerson, com danças em coreografia de moças para a noiva e rapazes para o noivo. 

Compromisso feito, anunciado e selado com um beijo, oramos todos, reconhecendo e abençoando a nova família que ali nasceu. Depois disso, a dança da cadeira e muita alegria com churrasco e forró.





sexta-feira, 2 de setembro de 2011

VILA BARROLÓ INTERAGE COM ARTESÃOS E CAPOEIRISTAS EM DUPLO EVENTO


PROJETO GINGA NO CAMPO
PRIMEIRA OFICIALIZAÇÃO DE INICIAÇÃO E TROCA DE CORDAS DOS CAPOEIRISTAS DA VILA BARROLÓ


Dia 27 de agosto pp a comunidade de artesãos ceramistas Vila Barroló esteve movimentada. Dois eventos foram realizados no mesmo dia, promovendo interação entre três grupos: Os artesãos e capoeiristas da Vila, Os associados da Casa do Artesão em Uberaba e as famílias e participantes da escola de capoeira de Uberaba Raízes do Brasil.




A escola de capoeira Raízes do Brasil em Uberaba, com grupo de alunos e seus familiares e mais mestres e atletas de outras escolas de Uberaba participaram da oficialização de iniciação e a primeira troca de cordas dos capoeristas da Vila Barroló. O grupo é formado de crianças e adultos iniciantes e são treinados por Kássio Feitosa que é aluno graduado da Raízes do Brasil.
O trabalho começou no ano passado e tem crescido em qualidade e adesão, com o entusiasmo dos participantes. A capoeira é bem aceita como oportunidade de interação entre os moradores e com outros participantes de vários lugares. Na ocasião, o treinador da Vilarecebeu a gr aduação com a corda alaranjada.


kássio Feitosa, o Macaco Branco recebeu corda alaranjada





 















PARCERIA COM RAÍZES DO BRASIL


Os lideres, alunos, parentes e amigos do grupo Raízes do Brasil de Uberaba marcaram presença, trazendo graduados de vários outros lugares. O mês passado nós anunciamos no blog da vila o início de uma parceria entre a escola Raízes do Brasil e nossa comunidade. Nessa ocasião estiveram conosco Crei e Roqueiro(foto à direita), líderes da escola, e receberam das mãos dos alunos da vila, que também são artesãos, um prato com o símbolo da escola. Quer ler sobre isso? Clique aqui

 VEJA FOTOS DA RODA DE CAPOEIRA

CASA DO ARTESÃO- COMEMORAÇÃO DE 30 ANOS



 
Cidinha, presidente da Casa do Artesão de Uberaba, à direita, na foto

O artesão Antonio Cleofas, um dos fundadores da comunidade Vila Barroló, membro da Casa do Artesão desde os primeiros passos da associação, recebeu a primeira visita dos colegas associados, liderados por Maria Aparecida Borges, a Cidinha, presidente da associação. 
Foram cerca de 50 pessoas em ônibus cedido pela prefeitura de Uberaba, que também assistiram ao evento 








OFICINA DE MODELAGEM                                                                                     
Justamente visando a interação entre pessoas de diferentes universos, coincidimos os dois eventos e o resultado foi ótimo. Os participantes do evento liberaram sua energia criativa numa rápida oficina de modelagem ministrada pelos artesãos da Vila. As peças produzidas serão queimadas no forno do atelier e os respectivos donos as receberão depois.




As professoras de Terapia Ocupacional Claudia, da UFTM e Sâmia, da UNIUBE
marcaram presença e botaram as mãos no barro.


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 APOIO CULTURAL 


O evento recebeu apoio da prefeitura de Conceição das Alagoas, que forneceu as camisas dos atletas, e esteve representada por um de seus assessores, o simpático Sr. Willens Rodrigues de Faria, que tem sido um grande incentivador de nosso trabalho.
willens(à esq), responsável pela Subsecretaria de Políticas Estratégicas e Governabilidade de Conceição das Alagoas




PARTICIPAÇÕES

Estiveram conosco os mestres de capoeira da Escola Kapoeira Gerais, Marneide; Peixe Cascudo, da Arte Luanda e Vampeta, do Raízes do Brasil de Franca, SP. Veja as fotos

Até a próxima!